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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

A Mãe que ficou no tempo.




Após perder o filho a Mãe se perde no tempo deixando que tudo se cubra pela poeira...
Perde o encanto pelas coisas, se isola em um canto como se fugisse da própria sombra; desconhece o que sempre conheceu, enfim, perde o tesão pela vida ...
E a vida sem excitação é como um belíssimo churrasco sem convidados; o que abunda não é o que farta...
Muitos guardados foram perdidos, esquecidos e nunca mais poderão ser resgatados pela memória, porque enterrados estão em um lugar amplo e inacessível; dentro da Mente humana...
Mas a Mente humana é muito complexa para imaginarmos  que está morta, ou inexpressiva diante do que se chama dor da morte.
Assim, dentro da Mente a mãe buscará amparo e suporte para sua dor, questionando ações, atitudes, momentos e até a realidade da morte acontecida sem encontrar resposta alguma, apenas, mais perguntas...
A luta é intensa e de certa forma tudo o que estiver além da Mente, será fadado a morrer ou perecer no esquecimento.
A família  então se vê órfã de Mãe viva... e o que era motivo para alegria se torna pretexto para expor  uma ira sobre-humana.
O tempo passa e a mulher fica esquecida em um canto qualquer esperando um dia poder voltar à vida. Mas o passado é cruel e ele não retorna nunca além da forma de saudade ...
E a lembrança castiga...
O casamento esfria e as fotografias se amarelam mais rapidamente enquanto o ritual de ir ao cemitério e a igreja  se transforma em obrigação.
Porque elas vão sempre procurar onde os filhos não estão?
Esta pergunta nunca será respondida... porque todas arranjam uma desculpa para deixar de viver a intensidade da realidade e dizem: “Deus quis assim...” como se Deus ou se intrometesse na vida humana com a obrigação de sempre salvar  e resolver tudo com a capacidade humana de realizar....
Mas o tempo de alguma forma sempre passa e com ele todos os problemas de uma vida apenas se acumulam e se tornam sem sentido se não forem resolvidos no momento próprio. Aliás cada problema tem um tempo certo para existir, nada é eterno e imutável...
Então quando a Mente humana se aperta contra si mesmo querendo extrair de si o conhecimento é sinal de que algo não vai bem... E, não vai bem mesmo, quando  a Mãe, começa a inconscientemente se achar o centro de tudo e de todos os momentos...
Quer todas as atenções para o pranto, não para seus pensamentos e dúvidas.... quer deixar de viver os problemas e viver apenas as soluções, pois se cansa facilmente de tudo... e daí se apodera de filhos alheios, de fotografias, de famílias,   de escritas, de textos, de sentimentos e se incha com tudo o que não lhe pertence.
Passado o ódio e o inconformismo a respeito de sua condição humana se volta para louvar e orar como desesperada sem saber direito por que ... Mas acha que orando, rezando, se imolando estará ajudando o filho  na jornada dele.
Mas não é isto o que acontece... Quem se engana, pode se enganar eternamente, mas enganar o outro por mais que um tempo curto é muito difícil...
As jornadas de cada Ser é individualizada e única e não existem duas Almas vivendo o mesmo espaço, no mesmo tempo... Pode parecer difícil entender, mas é preciso entender que a vastidão do Universo é o palco da vida e que portanto é ínfima a possibilidade de você morrer e encontrar-se com alguém que você conheceu ou nasceu de você....
Seria uma visão muito humana e simplista do Universo e, se você acredita em Deus ele não é humano nem simplista.
Se você não acredita em Deus, existem milhares de milhões de motivos para que a vida seja eterna e não conflitante consigo mesma. Ou seja a vida é eterna e não eternizada da forma que os homens possam entender.
Tudo no Universo é importante, de um chiste à uma Mega explosão ou Big Bang... Tudo é consequência de tudo... e a sabedoria do Universo esta sempre se expandindo ainda quando parecer estar encolhendo.
Mas e as Mães que perderam filhos?
Elas são como estrelas que se dividem em milhares de outras estrelas com a finalidade de sempre povoar de vida o Universo. Então não têm motivos para deixarem de viver por acharem que a saudade dói.
Talvez seja mais um problema de entendimento do que de postura diante da vida.
Quando uma Mãe, se posta como filha ela deixa de dar e de ter obrigação de entender e passa a exigir e apenas querer e consumir, assim como os filhos genericamente fazem...
Então este é o momento de deixar de querer ser filha de Deus e sentir-se parte do Universo onde direito e obrigações são condições naturais da vida e não condição para se viver apenas.
Assim se você puder deixar de prantear seu filho ele vai estar Bem, porque a vida segue sempre em frente.... e você deve viver.
Para você poder entender melhor as coisas em sua vida, reflita muito sobre quem é mais importante?  Deus ou um copo d’água.
Se você não conseguir separar a água de Deus achando que são interdependentes comece tudo outra vez, porque sua vida corre perigo.
Léo s bella

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